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	<title>Lei Maria da Penha é aplicável a mulheres trans &#8211; FGR Advogados</title>
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	<title>Lei Maria da Penha é aplicável a mulheres trans &#8211; FGR Advogados</title>
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		<title>STJ estendeu proteção da Lei Maria da Penha para mulheres transgênero</title>
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		<dc:creator><![CDATA[FGR Advocacia ADV]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Feb 2023 14:13:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Violência Doméstica]]></category>
		<category><![CDATA[direito de família]]></category>
		<category><![CDATA[Escritório de Advocacia em Brasília]]></category>
		<category><![CDATA[Escritório de advocacia no Conjunto Nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Lei Maria da Penha]]></category>
		<category><![CDATA[Lei Maria da Penha é aplicável a mulheres trans]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres transgênero]]></category>
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					<description><![CDATA[No primeiro semestre de 2022, uma decisão da Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabeleceu que a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) também deve ser aplicada aos casos de violência doméstica ou familiar contra mulheres transgênero. O relator do recurso, ministro Rogerio Schietti Cruz, considerou que, por se tratar de vítima mulher, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-medium"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="300" height="300" src="https://fgr.adv.br/wp-content/uploads/2023/02/FGR2023-1-1-300x300.jpg" alt="STJ estendeu proteção da Lei Maria da Penha para mulheres transgênero" class="wp-image-1358" srcset="https://fgr.adv.br/wp-content/uploads/2023/02/FGR2023-1-1-300x300.jpg 300w, https://fgr.adv.br/wp-content/uploads/2023/02/FGR2023-1-1-1024x1024.jpg 1024w, https://fgr.adv.br/wp-content/uploads/2023/02/FGR2023-1-1-150x150.jpg 150w, https://fgr.adv.br/wp-content/uploads/2023/02/FGR2023-1-1-768x768.jpg 768w, https://fgr.adv.br/wp-content/uploads/2023/02/FGR2023-1-1-600x600.jpg 600w, https://fgr.adv.br/wp-content/uploads/2023/02/FGR2023-1-1.jpg 1080w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></figure>
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<p class="wp-block-paragraph">No primeiro semestre de 2022, uma decisão da Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabeleceu que a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) também deve ser aplicada aos casos de violência doméstica ou familiar contra mulheres transgênero. O relator do recurso, ministro Rogerio Schietti Cruz, considerou que, por se tratar de vítima mulher, independentemente do seu sexo biológico, e tendo ocorrido a violência em ambiente familiar – no caso dos autos, o pai agrediu a própria filha trans –, deveria ser aplicada a legislação especial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora recente, o precedente do STJ já produziu efeitos que podem ser percebidos em órgãos diretamente incumbidos das questões relacionadas à violência contra a mulher, como as delegacias, o Ministério Público e a Defensoria Pública.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de a Lei Maria da Penha não trazer expressamente a figura da mulher trans, o entendimento da doutrina dominante é de que a legislação é aplicada a todas as mulheres. Foi isso que a decisão do STJ entendeu. Alguns juízes, de forma geral, já vinham aplicando a Lei Maria da Penha para mulheres trans antes mesmo dessa decisão, justamente seguindo esse raciocínio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa decisão representa um passo importante no combate às violências sofridas por travestis e transexuais no Brasil.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Ementa</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">RECURSO ESPECIAL. MULHER&nbsp;<strong>TRANS.</strong>&nbsp;VÍTIMA DE&nbsp;<strong>VIOLÊNCIA DOMÉSTICA</strong>.<br>APLICAÇÃO DA LEI N.&nbsp;<strong>11.340/2006,</strong>&nbsp;LEI&nbsp;<strong>MARIA DA PENHA.</strong>&nbsp;CRITÉRIO EXCLUSIVAMENTE BIOLÓGICO. AFASTAMENTO. DISTINÇÃO ENTRE&nbsp;<strong>SEXO E GÊNERO.</strong>&nbsp;IDENTIDADE. VIOLÊNCIA NO AMBIENTE DOMÉSTICO. RELAÇÃO DE PODER E MODUS OPERANDI. ALCANCE TELEOLÓGICO DA LEI.&nbsp;<strong>MEDIDAS PROTETIVAS.</strong>&nbsp;NECESSIDADE. RECURSO PROVIDO.<br>1. A aplicação da Lei&nbsp;<strong>Maria da Penha</strong>&nbsp;não reclama considerações sobre a motivação da conduta do agressor, mas tão somente que a vítima seja mulher e que a violência seja cometida em ambiente doméstico, familiar ou em relação de intimidade ou afeto entre agressor e agredida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">2. É descabida a preponderância, tal qual se deu no acórdão impugnado, de um fator meramente biológico sobre o que realmente importa para a incidência da Lei&nbsp;<strong>Maria da Penha,</strong>&nbsp;cujo arcabouço protetivo se volta a julgar autores de crimes perpetrados em situação de&nbsp;<strong>violência doméstica,</strong>&nbsp;familiar ou afetiva contra mulheres. Efetivamente, conquanto o acórdão recorrido reconheça diversos direitos relativos à própria existência de pessoas&nbsp;<strong>trans,</strong>&nbsp;limita à condição de mulher biológica o direito à proteção conferida pela Lei&nbsp;<strong>Maria da Penha</strong>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">3. A vulnerabilidade de uma categoria de seres humanos não pode ser resumida tão somente à objetividade de uma ciência exata. As existências e as relações humanas são complexas e o Direito não se deve alicerçar em argumentos simplistas e reducionistas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">4. Para alicerçar a discussão referente à aplicação do art. 5º da Lei&nbsp;<strong>Maria da Penha</strong>&nbsp;à espécie, necessária é a diferenciação entre os conceitos de&nbsp;<strong>gênero e sexo,</strong>&nbsp;assim como breves noções de termos&nbsp;<strong>transexuais, transgêneros, cisgêneros</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>travestis,</strong>&nbsp;com a compreensão voltada para a inclusão dessas categorias no abrigo da Lei em comento, tendo em vista a relação dessas minorias com a lógica da&nbsp;<strong>violência doméstica</strong>&nbsp;contra a mulher.<br>5. A balizada doutrina sobre o tema leva à conclusão de que as relações de gênero podem ser estudadas com base nas identidades feminina e masculina. Gênero é questão cultural, social, e significa interações entre homens e mulheres. Uma análise de gênero pode se limitar a descrever essas dinâmicas. O feminismo vai além, ao mostrar que essas relações são de poder e que produzem injustiça no contexto do patriarcado. Por outro lado, sexo refere-se às características biológicas dos aparelhos reprodutores feminino e masculino, bem como ao seu funcionamento, de modo que o conceito de sexo, como visto, não define a&nbsp;<strong>identidade de gênero.</strong>&nbsp;Em uma perspectiva não meramente biológica, portanto, mulher&nbsp;<strong>trans</strong>&nbsp;mulher é.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">6. Na espécie, não apenas a agressão se deu em ambiente doméstico, mas também familiar e afetivo, entre pai e filha, eliminando qualquer dúvida quanto à incidência do subsistema da Lei n.&nbsp;<strong>11.340/2006,</strong>&nbsp;inclusive no que diz respeito ao órgão jurisdicional competente &#8211; especializado &#8211; para processar e julgar a ação penal.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">7. As condutas descritas nos autos são tipicamente influenciadas pela relação patriarcal e misógina que o pai estabeleceu com a filha. O modus operandi das agressões &#8211; segurar pelos pulsos, causando lesões visíveis, arremessar diversas vezes contra a parede, tentar agredir com pedaço de pau e perseguir a vítima &#8211; são elementos próprios da estrutura de violência contra pessoas do sexo feminino. Isso significa que o modo de agir do agressor revela o caráter especialíssimo do delito e a necessidade de imposição de&nbsp;<strong>medidas protetivas</strong>.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">8. Recurso especial provido, a fim de reconhecer a violação do art. 5º da Lei n.&nbsp;<strong>11.340/2006</strong>&nbsp;e cassar o acórdão de origem para determinar a imposição das&nbsp;<strong>medidas protetivas</strong>&nbsp;requeridas pela vítima L. E. S. F. contra o ora recorrido.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Acórdão</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.<br>Os Srs. Ministros Antonio Saldanha Palheiro, Olindo Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Laurita Vaz e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator.&nbsp;</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>Informações complementares à emenda</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">(VOTO VISTA) (MIN. LAURITA VAZ)&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;[&#8230;] a mulher&nbsp;<strong>trans</strong>&nbsp;é agredida, em regra, exatamente por sua condição de mulher. Quando os dados revelam que a maioria das mulheres&nbsp;<strong>trans</strong>&nbsp;são vitimadas no lar por pessoas conhecidas, como no caso concreto em análise, o que temos diante de nós é um crime praticado no mesmo contexto cultural que conduziu o legislador a editar a Lei&nbsp;<strong>Maria da Penha,</strong>&nbsp;cuja premissa fundamental é o repúdio à&nbsp;<strong>violência doméstica</strong>&nbsp;e familiar baseada no gênero&#8221;&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><a href="https://processo.stj.jus.br/SCON/pesquisar.jsp?i=1&amp;b=ACOR&amp;livre=((%27RESP%27.clas.+e+@num=%271977124%27)+ou+(%27REsp%27+adj+%271977124%27).suce.)&amp;thesaurus=JURIDICO&amp;fr=veja" target="_blank" rel="noreferrer noopener">REsp 1977124/SP</a>, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMA, julgado em 05/04/2022, DJe 22/04/2022&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong><a href="http://www.fgr.adv.br/blog">FGR Advogados</a></strong> conta com especialistas em ações que envolvam o crime de violência doméstica e atua regularmente na esfera do Direito de família.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>TJGO aplica Lei Maria da Penha a vítima que se identifica como mulher</title>
		<link>https://fgr.adv.br/tjgo-aplica-lei-maria-da-penha-a-vitima-que-se-identifica-como-mulher/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[FGR Advocacia ADV]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Jan 2023 14:53:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Violência Doméstica]]></category>
		<category><![CDATA[Escritório de Advocacia em Brasília]]></category>
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		<category><![CDATA[Lei Maria da Penha é aplicável a mulheres trans]]></category>
		<category><![CDATA[violência doméstica]]></category>
		<category><![CDATA[Violência doméstica e familiar contra a mulher]]></category>
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					<description><![CDATA[Em uma relação homoafetiva entre pessoas do sexo masculino, onde uma delas se apresenta socialmente como do gênero feminino, contando inclusive com nome social feminino e chamamento social desse mesmo gênero, incide o direito à proteção da lei Maria da Penha.&#160; A Lei Maria da Penha entrou em vigor em agosto de 2006 para tentar [&#8230;]]]></description>
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<figure class="aligncenter size-medium"><img decoding="async" width="300" height="300" src="https://fgr.adv.br/wp-content/uploads/2023/01/fgr.adv_.br_-300x300.jpg" alt="TJGO aplica Lei Maria da Penha a vítima que se identifica como mulher" class="wp-image-1309" srcset="https://fgr.adv.br/wp-content/uploads/2023/01/fgr.adv_.br_-300x300.jpg 300w, https://fgr.adv.br/wp-content/uploads/2023/01/fgr.adv_.br_-1024x1024.jpg 1024w, https://fgr.adv.br/wp-content/uploads/2023/01/fgr.adv_.br_-150x150.jpg 150w, https://fgr.adv.br/wp-content/uploads/2023/01/fgr.adv_.br_-768x768.jpg 768w, https://fgr.adv.br/wp-content/uploads/2023/01/fgr.adv_.br_-600x600.jpg 600w, https://fgr.adv.br/wp-content/uploads/2023/01/fgr.adv_.br_.jpg 1080w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></figure>
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<p class="wp-block-paragraph">Em uma relação homoafetiva entre pessoas do sexo masculino, onde uma delas se apresenta socialmente como do gênero feminino, contando inclusive com nome social feminino e chamamento social desse mesmo gênero, incide o direito à proteção da lei Maria da Penha.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A<a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> Lei Maria da Penha </a>entrou em vigor em agosto de 2006 para tentar prevenir e diminuir a violência doméstica e familiar contra a mulher, estabelecendo medidas protetivas de afastamento do convívio familiar, criação de juízos de violência doméstica e medidas de assistência às vítimas.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Previsões da Lei Maria da Penha</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O magistrado pontuou, ainda, que a vítima tem o nome de batismo S.M.C, do sexo masculino e, que, no entanto, ostenta o nome social de “Bruna”, sendo esta a alcunha pela qual é conhecida em seu meio social. Também destacou que nos documentos apresentados na fase policial, as afirmações grotescas do agressor para a vítima são expressões no gênero feminino.</p>



<p class="wp-block-paragraph">“Diante disso, há clara situação em que a vítima, embora tenha o sexo masculino, possui gênero feminino, podendo, assim, ser protegida pelas previsões da Lei Maria da Penha. Tendo em vista que o processo inicialmente remetido ao 2º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da comarca de Goiânia, este é o juízo competente para conhecimento do caso, devendo o conflito ser julgado improcedente”, diz a decisão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As previsões da Lei Maria da Penha se destinam tanto ao sexo como ao gênero feminino, situações nem sempre coincidentes, mas que motivam a proteção legal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A <strong><a href="http://www.fgr.adv.br/blog">FGR Advogados</a></strong> conta com especialistas em ações que envolvam o crime de violência doméstica e atua regularmente na esfera do Direito de família.</p>
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		<title>Lei Maria da Penha é aplicável a mulheres trans</title>
		<link>https://fgr.adv.br/lei-maria-da-penha-e-aplicavel-a-mulheres-trans/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[FGR Advocacia ADV]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Apr 2022 12:16:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Violência Doméstica]]></category>
		<category><![CDATA[Escritório de Advocacia em Brasília]]></category>
		<category><![CDATA[FGR Advogados]]></category>
		<category><![CDATA[Lei Maria da Penha]]></category>
		<category><![CDATA[Lei Maria da Penha é aplicável a mulheres trans]]></category>
		<category><![CDATA[Rafael Ferracina]]></category>
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					<description><![CDATA[O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, na última terça-feira (5) que a Lei Maria da Penha se aplica aos casos de violência doméstica ou familiar contra mulheres transexuais. Essa foi a primeira vez que a questão foi julgada pelo tribunal e serve de precedente para que outras instâncias da Justiça sigam esse entendimento. Criada [&#8230;]]]></description>
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<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-medium"><img decoding="async" width="300" height="300" src="https://fgr.adv.br/wp-content/uploads/2022/04/fgr.adv_.br-1-300x300.png" alt="Lei Maria da Penha é aplicável a mulheres trans" class="wp-image-1133" srcset="https://fgr.adv.br/wp-content/uploads/2022/04/fgr.adv_.br-1-300x300.png 300w, https://fgr.adv.br/wp-content/uploads/2022/04/fgr.adv_.br-1-1024x1024.png 1024w, https://fgr.adv.br/wp-content/uploads/2022/04/fgr.adv_.br-1-150x150.png 150w, https://fgr.adv.br/wp-content/uploads/2022/04/fgr.adv_.br-1-768x768.png 768w, https://fgr.adv.br/wp-content/uploads/2022/04/fgr.adv_.br-1-600x600.png 600w, https://fgr.adv.br/wp-content/uploads/2022/04/fgr.adv_.br-1.png 1080w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></figure></div>



<p class="wp-block-paragraph">O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, na última terça-feira (5) que a <a href="https://fgr.adv.br/violencia-domestica-e-familiar-contra-a-mulher/">Lei Maria da Penha</a> se aplica aos casos de violência doméstica ou familiar contra mulheres transexuais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa foi a primeira vez que a questão foi julgada pelo tribunal e serve de precedente para que outras instâncias da Justiça sigam esse entendimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Criada em 2006, a Lei Maria da Penha constitui instrumentos para coibir a violência doméstica contra a mulher, estabelecendo medidas protetivas de afastamento do convívio familiar, criação de juízos de violência doméstica e medidas de assistência às vítimas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conforme já trazido pelo nosso sócio, Rafael Ferracina, o entendimento do STJ observa o princípio de igualdade e dignidade humana e surge como um novo avanço na luta por direitos das pessoas trans.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Lei Maria da Penha é aplicável a mulheres trans:</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Por unanimidade, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabeleceu que a Lei Maria da Penha se aplica aos casos de violência doméstica ou familiar contra mulheres transexuais. Considerando que, para efeito de incidência da lei, mulher trans é mulher também, o colegiado deu<br>provimento a recurso do Ministério Público de São Paulo e determinou a aplicação das medidas protetivas requeridas por uma transexual, nos termos do artigo 22 da Lei 11.340/2006, após ela sofrer agressões do seu pai na residência da família.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;Este julgamento versa sobre a vulnerabilidade de uma categoria de seres humanos, que não pode ser resumida à objetividade de uma ciência exata. As existências e as relações humanas são complexas, e o direito não se deve alicerçar em discursos rasos, simplistas e reducionistas, especialmente nestes tempos de naturalização de falas de ódio contra minorias&#8221;, afirmou o relator, ministro Rogerio Schietti Cruz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O juízo de primeiro grau e o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) negaram as medidas protetivas, entendendo que a proteção da Maria da Penha seria limitada à condição de mulher biológica. Ao STJ, o Ministério Público argumentou que não se trata de fazer analogia, mas de aplicar simplesmente o texto da lei, cujo artigo 5º, ao definir seu âmbito de incidência, refere-se à violência &#8220;baseada no gênero&#8221;, e não no sexo biológico.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Violência contra a mulher nasce da relação de dominação</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Em seu voto, o relator abordou os conceitos de sexo, gênero e identidade de gênero, com base na doutrina especializada e na Recomendação 128 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que adotou protocolo para julgamentos com perspectiva de gênero. Segundo o magistrado, &#8220;gênero é questão cultural, social, e significa interações entre homens e mulheres&#8221;, enquanto sexo se refere às características biológicas dos aparelhos reprodutores feminino e masculino, de modo que, para ele, o conceito de sexo &#8220;não define a identidade de gênero&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o ministro, a Lei Maria da Penha não faz considerações sobre a motivação do agressor, mas apenas exige, para sua aplicação, que a vítima seja mulher e que a violência seja cometida em ambiente doméstico e familiar ou no contexto de relação de intimidade ou afeto entre agressor e agredida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Schietti ressaltou entendimentos doutrinários segundo os quais o elemento diferenciador da abrangência da lei é o gênero feminino, sendo que nem sempre o sexo biológico e a identidade subjetiva coincidem. &#8220;O verdadeiro objetivo da Lei Maria da Penha seria punir, prevenir e erradicar a violência doméstica e familiar contra a mulher em virtude do gênero, e não por razão do sexo&#8221;, declarou o magistrado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ele mencionou que o Brasil responde, sozinho, por 38,2% dos homicídios contra pessoas trans no mundo, e apontou a necessidade de &#8220;desconstrução do cenário da heteronormatividade&#8221;, permitindo o acolhimento e o tratamento igualitário de pessoas com diferenças.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quanto à aplicação da Maria da Penha, o ministro lembrou que a violência de gênero &#8220;é resultante da organização social de gênero, a qual atribui posição de superioridade ao homem. A violência contra a mulher nasce da relação de dominação/subordinação, de modo que ela sofre as agressões pelo fato de ser mulher&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Violência em ambiente doméstico contra mulheres</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">No caso em análise, o ministro verificou que a agressão foi praticada não apenas em ambiente doméstico, mas também familiar e afetivo, pelo pai contra a filha – o que elimina qualquer dúvida quanto à incidência do subsistema legal da Maria da Penha, inclusive no que diz respeito à competência da vara judicial especializada para julgar a<br>ação penal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&#8220;A Lei Maria da Penha nada mais objetiva do que proteger vítimas em situação como a da ofendida destes autos. Os abusos por ela sofridos aconteceram no ambiente familiar e doméstico e decorreram da distorção sobre a relação oriunda do pátrio poder, em que se pressupõe intimidade e afeto, além do fator essencial de ela ser mulher&#8221;, concluiu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Schietti destacou o voto divergente da desembargadora Rachid Vaz de Almeida no TJSP, os julgados de tribunais locais que aplicaram a Maria da Penha para mulheres trans, os entendimentos do Supremo Tribunal Federal (STF) e do próprio STJ sobre questões de gênero e o parecer do Ministério Público Federal no caso em julgamento, favorável ao provimento do recurso – que ele considerou &#8220;brilhante&#8221; <a href="https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/05042022-Lei-Maria-da-Penha-e-aplicavel-a-violencia-contra-mulher-trans--decide-Sexta-Turma.aspx" target="_blank" rel="noreferrer noopener">(Fonte: STJ)</a></p>
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